Já tiveram problemas com o armazenamento das imagens? deve ter sido um problemão. Perder todo um trabalho de uma vida, em poucos segundos, seja por esquecimento ou pelo fato do drive do seu pc resolver não trabalhar mais... ou pior: queimar.
Eu uso um HD externo para backup, mas ainda assim tenho medo dele parar. Já penso em outro método de armazenar minhas fotos, porque ali está meu portfólio e tudo mais que gosto de fazer e curtir.
Mas, para os desavisados, aqui vão algumas dicas para não correr este risco, que encontrei no site da revista Fotografe Melhor. Vale a leitura.
Diego Meneghetti
Como você organiza suas fotos digitais? Separa-as em diretórios no computador? Faz cópias de segurança regularmente em um HD? Possui o hábito de catalogar todos os arquivos com palavras-chave? No fluxo de trabalho da fotografia digital, uma atenção que todo o profissional precisa ter atualmente é o zelo com a organização e preservação dos arquivos. De nada adianta fazer uma boa foto se, tempos mais tarde, você não consegue achá-la no computador – ou mesmo naquele DVD de cópia, guardado em algum lugar do estúdio.
Na época da fotografia analógica, a discussão de muitos especialistas da área era qual a melhor forma de catalogar os filmes e cópias em papel para tornar a busca de fotos mais eficaz. Em grandes volumes, esse trabalho muitas vezes era feito por pessoal especializado, como bibliotecários. Nos setores de documentação de agências e editoras, por exemplo, a preocupação considerava também as melhores maneiras de proteger os filmes da ação do tempo, como a umidade, que podia trazer fungos para os negativos, danificando, assim, os originais.
Atualmente, a armazenagem física das imagens não é um grande problema, já que as fotos são digitais e ficam reunidas no computador ou em mídias que ocupam pouco espaço. Além disso, é possível (e altamente recomendado) manter cópias do original. Contudo, as preocupações de hoje são outras: se na época do filme foto ruim não saía do laboratório, atualmente o fotógrafo tem que lidar com um volume muito grande de imagens e, geralmente, faz esse trabalho sozinho.
“Produzimos muito mais fotos hoje em dia, se compararmos ao tempo em que se fotografava com filmes. A quantidade de imagens ruins produzidas hoje também é grande, pois já não existe a preocupação com os cliques. Com isso, depois de uma saída, é importantíssimo que o fotógrafo faça uma triagem do que pode ser descartado, além de catalogar as imagens já na importação dos arquivos para o computador”, indica Marcos Issa, fotógrafo carioca radicado em São Paulo (SP), onde, além de manter um banco de imagens, o Argos (argosfoto.com.br), ministra cursos sobre fluxo de trabalho (workflow) em fotografia digital.
Criar e manter boas práticas no gerenciamento de arquivos é um tema recorrente em todo o mundo. Há, inclusive, um termo específico para isso: DAM (Digital Asset Management, algo como “gerenciamento de bens digitais”), que se refere às etapas de manipulação, controle e proteção de equipamentos ou documentos relacionados à informática, caso das imagens digitais.
Geralmente, os fotógrafos não se identificam muito como profissionais de tecnologia; inclinam-se mais para a área artística. Contudo, na fotografia digital, é exatamente este perfil técnico a que os profissionais de imagem precisam atentar. Megabytes, backup, HD e compactação são alguns dos termos rotineiros para qualquer
profissional de imagem. O trabalho de organização dos arquivos, que antes ficava a cargo de outras pessoas, hoje é por conta do próprio fotógrafo. Ou deve começar por ele: com um fluxo de trabalho organizado e funcional, a tarefa pode ser terceirizada.
CD/DVD
São populares mas têm a durabilidade pouco definida, pois cada fabricante utiliza uma forma para medir a vida útil. Contudo, como são mídias baratas, é recomendado que a cada cinco anos seja feita uma nova cópia. / Shutterstock
São populares mas têm a durabilidade pouco definida, pois cada fabricante utiliza uma forma para medir a vida útil. Contudo, como são mídias baratas, é recomendado que a cada cinco anos seja feita uma nova cópia. / Shutterstock
A melhor solução para ajudar no gerenciamento das imagens digitais é o uso de softwares específicos para este fim, que conseguem controlar todo o fluxo de trabalho do fotógrafo à frente do computador. “Os softwares de edição de imagem antigos não permitiam esse controle. Mas isso já é possível com alguns programas desenvolvidos para lidar com grandes volumes de fotos digitais, como é o caso do Adobe Lightroom. Os fotógrafos precisam se reciclar. Todos que trabalham com fotografia, amadores ou profissionais, uma hora ou outra usam o Photoshop. Mas esse programa foi criado para trabalhar as imagens individualmente. Ele não é tão eficaz para tratar e organizar grandes lotes de imagens como é o Lightroom”, afirma Marcos Issa.
A discussão de qual o melhor software para a fotografia é antiga e também já ocupou as páginas de Fotografe. Para a organização dos arquivos, o importante é escolher o programa que mais seja útil para cada workflow. Algumas dicas de como escolher vêm do fotógrafo norte-americano Peter Krogh, que é uma das referências mundiais nesse assunto.
No livro DAM Digital Asset Management for Photographers, Peter aponta que os programas usados para o controle de fotos podem ser divididos, basicamente, em três tipos: primeiro, os navegadores (browsers), que mostram as imagens de cada pasta do computador e exibem informações gravadas nos arquivos,como o EXIF. Os mais conhecidos deste grupo são o Adobe Bridge, o Photo Mechanic, o Picasa, o IrfanView e o BreezeBrowser. Eles oferecem certa organização para as fotos, mas não dão suporte a recursos como visualização das imagens que estão fora do computador, guardadas, por exemplo, em CDs.
Isso já é possível no segundo tipo de software, os catálogos (catalog), como é o caso do ImageIngester, do ACDSee ou do Microsoft Expression Media (que se tornou a atualização do iView MediaPro e recentemente foi vendido para a Phase One). Esses programas geram um banco de dados das imagens que estão no computador e em outras mídias, possibilitando organizá-las em coleções e exibi-las mesmo que estejam off-line.
O terceiro tipo de software é o que Peter chama de Cataloging PIEware, que são os programas que funcionam como os catálogos e permitem também uma edição de imagens de forma paramétrica (Parametric Image Editing – PIE, na sigla em inglês), ou seja, o software mantém os arquivos originais intactos e realiza a edição das imagens a partir de parâmetros que serão aplicados nas fotos apenas quando forem exportadas para saídas de impressão ou web, por exemplo. Esse tipo de edição não destrutiva é encontrado no Lightroom (que acaba de ser atualizado para a versão 3) e no Aperture (para Mac), que, além de organizarem os arquivos em coleções, têm um bom suporte para o tratamento de imagens e recursos para backup dos arquivos em outras mídias.
HD INTERNO OU EXTERNO
Ainda que a durabilidade desses equipamentos seja maior a cada novo modelo, é recomendado a troca entre três a cinco anos, tempo médio necessário também para o aumento do espaço de armazenamento. / Shutterstock
O funcionamento de qualquer programa de DAM, contudo, depende das informações que são inseridas nos metadados da imagem (parte textual que fica embutida no arquivo e pode ser visualizada nos programas). Em um banco de imagens com 15 mil fotos, como encontrar uma específica? Para Marcos, o segredo para um gerenciamento de arquivos eficaz é organizar-se desde a hora da importação das imagens do cartão de memória para o computador. “No controle das imagens, o mais importante é inserir algumas informações, como palavras-chave, autor e local já na importação das fotos”, afirma ele.
Além de manter a informação de EXIF, gerada no arquivo no instante que a foto é feita, os programas mais completos, como o Lightroom e o Aperture, fornecem suporte para outros tipos de informações, de acordo com o IPTC (International Press Telecommunications Council), um padrão para os dados inseridos nas imagens, seguido por vários fabricantes de softwares.
A fotógrafa Paula Cinquetti é a responsável pelo departamento de fotografia do Senado Federal, onde coordena um workflow que envolve diretamente cerca de 30 profissionais. Para ela, o mais importante é a clareza na identificação das etapas de trabalho e da função de cada profissional. “Os fotógrafos entregam o cartão de memória para os ingestores, que são os responsáveis pela inclusão da informação factual, ou seja, a que vem junto com a pauta, como local, assunto, participantes e pequenos vocabulários controlados que criamos para facilitar a pesquisa”, diz.
Após essa etapa inicial, uma equipe de jornalistas atribui outras informações nos metadados, as quais contextualizam o que ocorreu no momento da cena, como o desencadeamento dos acontecimentos, do discurso ou da discussão entre os senadores ou visitantes. “Ao mesmo tempo em que as informações jornalísticas são anexadas diretamente nos metadados dos arquivos originais, a equipe de tratadores já está preparando os arquivos destinados à publicação no site”, explica Paula
Ao preencher os metadados no padrão IPTC, Marcos Issa orienta que o fotógrafo não use caracteres especiais, como acentos ou cedilha e, para identificar a imagem nas palavras-chave e legenda, colocar apenas o que é realmente importante na foto. O nome diz tudo: palavra-chave.
Nesta empreita, diferentemente do trabalho de bibliotecário, é importante colocar termos relevantes, que irão ajudar nas pesquisas futuras. “É bom escolher palavras objetivas e também escrever alguns conceitos subjetivos, bastante úteis para bancos de imagens de publicidade. Termos como alegria, raiva e solidão ajudam na catalogação”, indica Marcos.
CARTÕES DE MEMÓRIA
Versáteis na gravação de arquivos, os cartões não são indicados para backup definitivo devido ao alto custo de cada gigabyte. Um Compact Flash de 4 GB, por exemplo, mesmo comprado no mercado paralelo, custa cerca de R$ 70. / Shutterstock
Nos campos dos metadados, é possível também informar em qual mídia externa estão os arquivos de backup. Manter cópias de segurança das fotos, aliás, é a etapa mais importante de todo o gerenciamento de arquivos. Uma prática que os especialistas indicam é, já no momento da importação das imagens para o computador, fazer um backup em uma mídia externa. Esse processo pode ser feito de forma manual ou automática, com a ajuda dos programas de DAM. Aliás, a indicação é que sejam feitas várias cópias. Mas o que deve ser gravado e onde fazer o backup?
“Costumo arquivar apenas os arquivos DNG, com todas as informações de tratamento e de metadados. Contudo, vários especialistas recomendam também arquivar um arquivo TIF. Acredito que manter o arquivo DNG é importante para o futuro, em que novas versões de programas poderão trabalhar as imagens com uma qualidade maior”, conta Marcos Issa.
Paula Cinquetti também fotografa de forma autoral, na qual uti
liza um fluxo de trabalho um pouco diferente do qual faz no Senado.
“Tudo começa com uma organização dos cases e dos cartões de memória, todos identificados e numerados. Sempre viajo com um Macbook e um HD externo WD de 250 GB, espelho do Mac. Ao chegar na estação de trabalho, descarrego as fotos em RAW e aplico os metadados possíveis já na ingestão das imagens. Essa é uma regra que não posso descumprir. A edição do material e as saídas de trabalho são feitas também pelo Lightroom, inclusive para meu site”, comenta a fotógrafa, que mantém seu portfólio em paulacinquetti.com.br.
Para a gravação dos arquivos, é importante notar que nenhuma das mídias de armazenamento digital (como CD, DVD ou HD) oferece a confiabilidade que os suportes materiais (como o filme e o papel) davam ao fotógrafo. A vida útil dos HDs, por exemplo, é medida por meio do tempo em que o equipamento demora para apresentar alguma falha – e cada fabricante usa uma maneira para fazer este cálculo. Contudo, profissionais de tecnologia e a experiência com o uso apontam que é importante substituir os HDs entre três a cinco anos, tempo também em que geralmente é necessário um aumento (upgrade) na capacidade de armazenamento.
Já a vida útil de CDs e DVDs (os que são utilizados para gravação de arquivos, como CD-R, CD+R, DVD-R e DVD+R, não aqueles produzidos na indústria fonográfica) depende de vários fatores como qualidade do disco, velocidade de gravação e local de armazenamento. De acordo com informações do Clube do Hardware (clubedohardware.com.br), fórum especializado em assuntos de informática, é recomendado que a cada cinco anos a cópia de um DVD seja substituída, já que se trata de uma mídia que pode ser danificada facilmente e o custo atual de um disco virgem é relativamente baixo (cerca de um real por DVD).
Se a vida útil do backup é algo a se considerar, como o fotógrafo pode ter a certeza de que os arquivos estão realmente protegidos? A solução que Marcos Issa indica é seguir a regra 3-2-1. “Tenha sempre três cópias das fotos importantes, gravadas em dois tipos de mídias diferentes, sendo que uma delas deve ser guardada em um local remoto, diferente das outras”, ensina.
O fotógrafo Carlos Almeida (carlosalmeidafotografia.com.br) é especializado em casamentos e segue esse workflow rígido, que evita perder arquivos acidentalmente, já que em fotografia de eventos não é possível fazer a sessão de fotos novamente. “Na importação dos arquivos pelo Lightroom, já faço uma cópia em DVD dos arquivos RAW e mantenho as fotos também no cartão de memória até depois da edição. Com as fotos tratadas, faço cópias dos arquivos em duas mídias, em DVD e em HD externo e, só depois, formato o cartão. Ao final, tenho tudo catalogado e com quatro cópias do backup guardadas em locais distantes”, explica Carlos.
Peter Krogh sugere que, ao se decidir qual mídia usar para o backup, o fotógrafo deve avaliar o custo total daquela opção. Se for um HD externo, por exemplo, os aspectos que devem ser considerados são o custo do aparelho, a capacidade de expansão, o consumo de energia, o nível de ruído, o aquecimento que o HD produz e as conexões (USB 2.0, firewire, LAN).
OUTROS
Há sistemas mais robustos (e, claro, mais caros) para backup de arquivos, como NAS (foto), HDs espelhados, fitas magnéticas etc., além de softwares próprios para gerenciamento automático das cópias. /Shutterstock
O canadense Ron Scheffler (www.ronscheffler.com) é um dos fotógrafos que, após contabilizar
os custos do armazenamento em
HDs e DVDs, optaram por fazer
o backup das fotos de seus clientes
em serviços de armazenamento on-line. Segundo ele, é mais barato
e confiável guardar os arquivos na “nuvem” (como é chamada essa estratégia de informática baseada em serviços da internet). Depois de testar o armazenamento de fotos da Amazon (S3), Scheffler usa o Photoshelter (photoshelter.com) atualmente, específico para fotógrafos, com planos gratuitos e pagos que também oferecem ferramentas para as imagens, como galerias e loja virtual.
“Contar com um armazenamento on-line é uma boa opção, mas não deve ser a única forma de guardar as fotos. Tive uma decepção com uma empresa estrangeira que tinha uma ótima estrutura, com três servidores, em dois países. Mas a empresa faliu e avisou os usuários para retirarem seus arquivos, pois fechariam as portas”, comenta Marcos, que atualmente também utiliza o Photoshelter.
Uma busca na internet pode apontar bons serviços de armazenamento na nuvem, como o SkyDrive (skydrive.live.com), da Microsoft, que oferece gratuitamente um espaço de 25 GB para os arquivos. Outra opção é o DropBox (dropbox.com), que tem um plano gratuito de 2 GB (mediante convite de algum usuário) e dois pagos, com capacidades de 50GB e 100GB. Ao se decidir por um backup desse tipo, leia atentamente os termos de serviço (TOS, na sigla em inglês), para verificar questões de propriedade autoral e privacidade.
As mídias físicas para backup ainda incluem opções mais robustas e caras, como disco Blu-Ray gravável (que suporta cerca de 25 GB), servidores domésticos, NAS (Network-Attached Storage, que são HDs conectados à rede), discos RAID (dois ou mais HDs funcionando de forma espelhada), fitas magnéticas, entre outros.
Ao dominar os princípios do DAM, desde a inserção de informações nas imagens à organização e backup dos arquivos, o fotógrafo pode criar um padrão para seu workflow, definindo regras para ter eficiência e segurança. Marcos Issa
sugere que os procedimentos fundamentais para qualquer fluxo de trabalho em fotografia digital sejam: 1) embutir metadados na importação dos arquivos para o computador; 2) fazer backup em outra mídia no mesmo momento da importação; 3) manter os CDs ou DVDs de backup organizados, por exemplo, numericamente.
O Adobe Lightroom é um dos softwares mais indicados atualmente para gerenciamento de arquivos de fotos digitais
Outro benefício de ter boas práticas no workflow é que, com tudo padronizado, é possível contratar pessoas para ajudar no trabalho, como é o caso do estúdio de Carlos Almeida. Uma vez que a rotina é estabelecida, fica fácil um ajudante assumir essa tarefa com responsabilidade. “Com os metadados na imagem, consigo encontrar qualquer foto em questão de minutos, mesmo que o arquivo esteja apenas em cópia de segurança”, aponta Carlos.
Por último, os especialistas indicam que, acima de tudo, é importante não deixar o trabalho para depois. Se você ainda não tem um sistema eficaz de gerenciamento das fotos, logo que terminar de ler este texto, sente-se à frente do computador e comece a organizar seus arquivos digitais. Seja no Lightroom ou no Aperture, com backups em CD ou na web.





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